RISCOS E BENEFÍCIOS DO CONSUMO DE CARNE VERMELHA

A carne vermelha, de maneira geral, constitui uma base significativa da alimentação diária.Embora represente uma importante fonte de proteínas (aminoácidos essenciais) e de micronutrientes, as evidências científicas atuais tem associado seu consumo a um maior risco de ocorrência de diabetes mellitus tipo 2, doenças cardiovasculares e oncológicas.

O padrão alimentar ocidental é classificado por ter um consumo elevado de carne e derivados, baixa ingestão de fruta e vegetais, associada a estilos de vida como tabagismo, consumo de álcool e sedentarismo. Vários estudos revelam que estes hábitos estão associados a um elevado risco de mortalidade (22%), causado por doença cardiovascular (DCV), em comparação com um padrão alimentar equilibrado com predomínio de ingestão de frutas, vegetais, legumes, carnes brancas e grãos integrais.

Estudos epidemiológicos comprovam que o aumento do consumo de carne vermelha aumenta o risco de desenvolvimento de doença cardíaca coronariana, acidente vascular encefálico e infarto do miocárdio, além de diabetes mellitus tipo 2 e de diversos tipos de neoplasias, em especial do câncer do cólon.

Também existem evidências que indicam haver uma associação forte entre o consumo de carne processada e o surgimento de neoplasias do estômago, assim como do pâncreas e da próstata.

Existem na carne vermelha, sobretudo na processada, elementos que são responsáveis pelo aumento da incidência de doenças: ácidos gordos saturados e compostos mutagênicos e carcinogênicos como aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, além do ferro, dos nitratos e dos nitritos.

Em outubro de 2015, a agência internacional para a investigação oncológica, International Agency for Research on Cancer (IARC) juntamente com a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificaram a carne processada como carcinogênica grupo I e a carne vermelha foi classificada como possivelmente carcinogênica grupo 2A.

Esta classificação foi baseada em estudos realizados em humanos e animais que consumiam este tipo de carne e que desenvolveram câncer colo-retal, assim como outros tipos de câncer.

O fato da carne processada ser classificada como carcinogênica deve-se ao fato de lhe serem adicionados aditivos, assim como ao processamento em si. A oxidação e deterioração são vistos como principais fatores de ignição para os possíveis problemas de saúde causados pelo consumo destes alimentos. Estas reações ocorrerão devido ao alto teor de sal, de ferro e à abundância relativa de fosfolípidos endógenos. O elevado teor calórico da carne aumenta o risco de obesidade o que também é um fator de risco para o surgimento de câncer.

A carne vermelha processada é sujeita a tratamentos térmicos (temperaturas elevadas), cura, defumação, fermentação, adição de sal e adição de conservantes químicos (para prolongar o seu prazo de validade e melhorar as suas propriedades organolépticas), processos que levam à formação de citotoxinas.

Existem recomendações internacionais para que a ingestão de carne vermelha seja inferior a 71g/dia ou 500g por semana e para que a ingestão de carne processada seja evitada ao máximo, para que sejam prevenido o câncer de cólon. Contudo há estudos que as contradizem, pois, por exemplo, com o declínio da ingestão de carne vermelha no Reino Unido, era esperado que a incidência de câncer do cólon também decrescesse, mas houve um aumento significativo da incidência do mesmo.

Muitas vezes os estudos tem resultados contraditórios e são difíceis de comparar, nomeadamente porque há várias diferenças durante a análise: tamanho da amostra, método de avaliação dietética, entre outros. A grande limitação destes estudos deve-se também ao fato das discrepâncias na definição de carne vermelha e carne processada.

No entanto é consensual que há maior risco de surgir câncer do cólon ao ingerir carne processada do que ingerir carne vermelha não processada. Assim, o potencial carcinogênico da carne estará associado ao tipo de carne consumida (vermelha e/ou processada), o processo de confecção, a quantidade consumida e riscos genéticos individuais.

Nossos artigos tem caráter meramente informativo e não devem ser utilizados para realizar autodiagnóstico, autotratamento ou automedicação. Consulte sempre seu médico.